- O que significa a alcunha INCONSTÂNCIA? O mercado atual está favorável para a sonoridade da banda?
Sabemos que o metal não é protagonista no mercado fonográfico brasileiro e que tocar estilos mais modernos pode ser um desafio, pois demanda equipamentos caros e uma boa estrutura de produção. No entanto, temos visto soluções criativas para driblar essas barreiras. Acreditamos que a música pesada está voltando para as playlists e que, apesar da falta de incentivo, ainda há um futuro promissor.
- O seu som é de difícil identificação. Como você se enxerga na cena: Qual termo seria menos limitante para classificar o estilo de vocês?
Como músicos, temos gostos e influências extremamente variadas, o que acaba se refletindo no nosso som. Mas acreditamos que o rótulo de metal moderno nos define bem, pois observamos esse mesmo padrão em diversas bandas do gênero: a mescla de estilos, o uso de instrumentos incomuns, sintetizadores e novas formas de construir peso e atmosfera. Esse movimento representa uma nova maneira de enxergar o metal.
- “iReal” é um EP magnífico, mas demorei para entendê-lo. Os fãs têm falado algo similar para você neste sentido?
"iReal" funciona como uma linha do tempo. "Rumo ao Fim" mostra que a humanidade parece caminhar para a calamidade, sem possibilidade de escapar do sistema. Ao longo do EP, tudo ainda é um grande questionamento envolto em desesperança. "Contratempo" representa a ansiedade desse percurso: estamos realmente aproveitando o tempo da melhor forma? A mudança depende apenas de nós? Já "Miséria", a mais pesada do trabalho, simboliza a revolta e, ao mesmo tempo, o fundo do poço. Mas ali também há um vislumbre de luz, um retorno ao início, o que poderíamos ter feito para permanecermos lá e que, por egoísmo e ganância, ignoramos.
- "Contratempo" é maravilhosa e, para mim, um dos destaques do material. Qual a sua real intenção com ela? Qual a sua mensagem?
Nascemos na era digital e, com seu crescimento, percebemos que o tempo para aproveitar a vida parece estar diminuindo, ou pelo menos temos essa impressão. Assim, a vida se torna uma busca constante por aproveitar melhor o tempo ou, na verdade, por medo de não ter mais tempo.
- Algumas passagens de Alternative Rock me chamaram a atenção. Vocês pesquisaram sobre esse nicho para inseri-lo no material?
Na verdade, não prendemos nosso foco totalmente ao rótulo de cada passagem, durante a composição. As ideias surgem naturalmente, porém, como um livro em que um capítulo se conecta ao outro, temos que garantir que a história faça sentido dentro do seu próprio contexto.
- "iReal" saiu há pouco tempo. Como tem sido a aceitação dele na imprensa e junto ao público?
A recepção tem sido extremamente positiva. Percebemos que a profundidade das letras e a sonoridade mais trabalhada geraram uma conexão forte com o público. Estamos felizes com o retorno até agora e ansiosos para testar ainda mais essas músicas ao vivo.
- "Rumo ao Fim" e "Miséria" são outros dois destaques do material, mas imagino que não sejam um consenso dentro da sua fanbase como um todo. Quais canções o público tem abraçado mais?
Acreditamos que estamos, cada vez mais, encontrando nosso público e trazendo algo que gostamos e que também os cativa. "Rumo ao Fim" e "Miséria" tiveram um impacto muito positivo, pois conseguimos ser fiéis à nossa arte, atraindo ouvintes que se identificam com esse tipo de som. Ainda não tivemos muitas oportunidades de testá-las ao vivo, mas estamos ansiosos para voltar aos palcos e sentir a resposta do público no nosso novo setlist.
- Como se deu o processo de composição e produção deste EP?
Nosso processo não segue regras estritamente definidas. Criamos a partir da combinação de ideias e sentimentos do momento. Antes de gravar, geralmente temos um período de preparação, onde discutimos diversas ideias e temas — muitas vezes até fora da música — e isso sempre vem acompanhado de conversas e reflexões com amigos. Surgem questionamentos importantes, dúvidas para as quais talvez não tenhamos uma resposta imediata, e transformamos isso em som e letra. Moramos próximos uns dos outros, o que facilita muito esses encontros e torna tudo mais espontâneo.
- Uma turnê em suporte ao EP está nos planos? Esperamos imensamente que sim…
Por hora não vemos como o momento ideal, pois nosso foco está totalmente no nosso próximo trabalho, que trará um conceito ainda mais estruturado e será nosso primeiro álbum completo. Estamos extremamente animados e, após o lançamento, uma turnê certamente será o próximo passo. Todo o processo de produção está sendo documentado e compartilhado em nossas redes sociais, para que os fãs possam acompanhar de perto cada etapa.
- Algo ficou a ser dito? Obrigado pelo tempo ao Sub Discos Blog...
Estamos muito felizes com tudo que entregamos até aqui, mas nosso próximo trabalho será um reflexo ainda mais nítido do que somos. Ele trará um conceito forte e aborda temas que surgem naturalmente em nossas conversas e vivências. Além disso, estamos planejando atualizações constantes nas nossas redes sociais, trazendo um mix de comédia, produção musical, conversas e entretenimento. Como estamos 100% focados no novo material, queremos documentar essa jornada e compartilhar mais desse processo com o nosso público.
E obrigado pelo espaço, Sub Discos!
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