
Por Rony Portela
Nota: 09.0/10.0
O álbum "Ganeshu" reforça o posicionamento da UGANGA dentro de uma proposta que cruza Hardcore e Thrash Metal com naturalidade, sustentando uma sonoridade marcada por peso, agressividade e forte presença de grooves. As composições se desenvolvem de maneira direta, mas com atenção especial às letras, que apresentam construção consistente e alinhada à tradição crítica da banda, elemento recorrente em sua trajetória desde a formação em Minas Gerais.
A produção do disco evidencia um cuidado técnico voltado à valorização das guitarras, que assumem protagonismo com timbres densos e bem definidos. Ao mesmo tempo, baixo e bateria mantêm clareza e presença, evitando sobreposições excessivas. O resultado aproxima o trabalho de referências consolidadas como Sepultura — especialmente em sua fase mais groove dos anos 1990 —, Pantera e Machine Head, tanto pela construção rítmica quanto pela ênfase no impacto sonoro.
Impossível também é deixar de destacar o vocalista Manu Joker, cuja trajetória inclui passagem pelo Sarcófago. Sua abordagem vocal privilegia o uso de drives, com inserções pontuais de screams, construindo uma interpretação agressiva e controlada. Em determinados momentos, sua entrega remete à estética do Biohazard, especialmente pela combinação entre atitude e cadência. Faixas como “A Profecia”, “Confesso” e, sobretudo, “Tem Fogo!” sintetizam esse direcionamento, figurando entre os pontos mais consistentes do disco.
A capa apresenta uma estética marcante, com predominância de tons vermelhos e a figura de um gato preto instigante, que parece nos encarar todo o tempo (risos). A arte dialoga com a proposta do disco ao transmitir uma sensação de tensão e simbolismo, reforçando a identidade do material. Além disso, o título "Ganeshu" estabelece uma referência indireta a Ganesha, divindade do hinduísmo associada à sabedoria e à remoção de obstáculos, sugerindo uma camada conceitual adicional ao trabalho.
Inserida em um contexto de consolidação no cenário nacional, a UGANGA reafirma, com "Ganeshu", sua identidade construída ao longo de décadas, marcada pela fusão entre Metal e crítica social. O álbum evidencia maturidade estética e coerência artística, mantendo a banda relevante dentro de sua proposta. Nesse sentido, o trabalho não apenas reforça sua trajetória, mas também amplia suas possibilidades de alcance, sobretudo em um cenário que valoriza a autenticidade e a consistência dentro do Metal contemporâneo.
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