
Como você avalia o caminho percorrido pelo JORDAN'S EMPIRE OF DREAMS desde o início do projeto até o lançamento de seu álbum de estreia, especialmente considerando a evolução das ideias musicais e conceituais que deram origem ao trabalho?
Bom, eu comecei a compor músicas originais ainda na adolescência, quando ganhei meu primeiro violão, e desde cedo percebi que minha principal força estava na composição e na criação musical. Ao mesmo tempo, também reconheci que minhas possibilidades técnicas como instrumentista e cantor eram mais limitadas do que minhas ideias musicais. Isso sempre me fez pensar em um formato de projeto que permitisse que as músicas fossem executadas e interpretadas da maneira que cada composição pede.
Sempre tive como referência projetos como Avantasia e Ayreon, nos quais diferentes artistas podem contribuir para dar vida às músicas, ampliando as possibilidades musicais e interpretativas, mas mantendo uma direção criativa central. Com o JORDAN'S EMPIRE OF DREAMS, estou conseguindo transformar essa ideia em realidade e dar vida às minhas composições com muito mais liberdade, sem precisar limitar uma música àquilo que consigo executar sozinho.
Por isso, vejo o projeto principalmente como um espaço de criação, em que composição, narrativa, música e diferentes possibilidades de interpretação podem coexistir. O álbum de estreia representa justamente esse primeiro passo na construção dessa identidade.
O álbum de estreia, lançado de forma independente em junho de 2026, reúne dez faixas, sendo sete composições inéditas e três músicas originalmente presentes na EP demo de 2014. Como foi o processo de seleção e reconstrução desse repertório, e quais foram os principais critérios para definir o que deveria integrar a versão definitiva do disco?
A ideia de fazer uma trilogia surgiu quando fui revisitar meus arquivos e percebi que tinha aproximadamente 30 músicas finalizadas ou quase finalizadas das quais eu realmente gostava. Em vez de simplesmente lançá-las sem uma organização maior, decidi dividi-las em três álbuns, escolhendo o que entraria em cada um de forma que os trabalhos fossem equilibrados tanto musicalmente quanto em termos de narrativa.
Para o primeiro capítulo, ‘The Crossing’, também quis resgatar algumas composições do meu EP demo de 2014. Foram retrabalhadas “I’m Lost”, “Drowned in Shadows” e “Facing the Moon”, que se encaixavam muito bem no conceito deste primeiro capítulo, que passa por temas como inocência, dor, transformação, paixão e busca por sentido e propósito. Todas as músicas têm um caráter muito pessoal, mas, ao mesmo tempo, abordam sentimentos e questões que considero universais.
Já a faixa de encerramento do disco, “The Empire”, foi composta justamente com a intenção de encerrar este álbum. A letra foi escrita especificamente para esse momento e acabou sendo a última música a ser finalizada para o disco, embora sua melodia já estivesse guardada nos meus arquivos há muitos anos. Quando revisitei esse material, percebi que aquela melodia poderia se transformar no encerramento perfeito para ‘The Crossing’.
O trabalho apresenta uma proposta que transita entre o Symphonic Metal, o Alternative Rock e elementos cinematográficos. Como vocês chegaram a essa combinação de referências e de que maneira ela contribui para construir a identidade do JORDAN'S EMPIRE OF DREAMS?
A sonoridade do projeto nasceu naturalmente da mistura de tudo aquilo que sempre gostei de ouvir. Embora meu gênero musical favorito seja o metal melódico, minha banda favorita é o U2, e também sou muito fã de música cinematográfica, tendo como referências nomes como Thomas Bergersen e Two Steps From Hell.
Ao mesmo tempo, bandas como Nightwish, Kamelot, Angra, Shaman, Anathema e Myrath sempre me influenciaram justamente pela maneira como conseguem combinar peso, melodias, elementos sinfônicos e diferentes atmosferas dentro de uma mesma música.
Por isso, não penso no projeto a partir de um único gênero ou de uma fórmula específica. A música precisa assumir a sonoridade que melhor representa aquilo que quero transmitir em cada composição. Essa liberdade de transitar entre o rock, o metal, a música sinfônica e elementos cinematográficos acaba sendo uma parte importante da própria identidade do JORDAN'S EMPIRE OF DREAMS.
A concepção do álbum está relacionada a uma trilogia. O que vocês podem revelar sobre a narrativa desenvolvida nesse primeiro capítulo e como as músicas se conectam dentro dessa história maior?
Este é o primeiro capítulo de uma história maior. Cada música representa uma etapa diferente da jornada, mas também funciona individualmente. Juntas, elas formam uma passagem por questões existenciais, pela busca por propósito, pelo amor e pela perda, além dos conflitos que carregamos dentro de nós mesmos.
Movido pelo desejo de seguir seus sonhos, o personagem parte rumo ao desconhecido, deixando para trás aquilo que um dia lhe pareceu familiar. Ao longo do caminho, encontra medo, incerteza, solidão, decepções e as feridas deixadas pelo amor. Ainda assim, o amor permanece como uma força que o guia durante toda a jornada, representado pela Lua, uma luz distante que simboliza conexão, esperança e algo que vale a pena buscar mesmo nos momentos mais sombrios.
À medida que a jornada avança, o personagem é obrigado a confrontar suas próprias sombras e questionar tudo aquilo que acreditava conhecer. O que começa como uma busca por algo além de si mesmo gradualmente se transforma em um despertar, um processo de redescoberta da capacidade de sentir, ter esperança e recomeçar.
A jornada finalmente o conduz ao The Empire of Dreams, que pode ser entendido como um lugar, mas também como um estado de espírito, uma ideia ou uma descoberta interior. Mais do que alcançar um destino físico, trata-se de descobrir o sentido por trás de toda essa jornada.
Sempre gostei de utilizar símbolos de forma metafórica, e manter a dualidade no significado das letras, pra ficar algo mais universal, e cada um interpretar da forma como faz mais sentido para si.
O conceito do segundo capítulo já está definido e, inclusive, revisitei e reescrevi algumas letras de músicas que já estavam compostas para que elas representassem melhor essa nova etapa da história. Posso adiantar que o Chapter II será ainda mais épico e pesado, e contará com participações especiais, tanto nos vocais quanto nos instrumentos.
Escolha uma música do álbum que represente particularmente bem a essência do JORDAN'S EMPIRE OF DREAMS e expliquem quais elementos musicais, líricos ou conceituais fazem dela uma peça importante dentro do disco.
Eu escolheria “I’m Lost”, pois musicalmente ela apresenta toda a grandiosidade sinfônica do projeto. Além de ser a faixa de abertura do álbum, ela também fez parte da EP demo de 2014, representando uma ligação importante entre o início da minha trajetória e o momento atual do JORDAN'S EMPIRE OF DREAMS. A música aborda um capítulo muito pessoal da minha vida, quando eu realmente me encontrava perdido, mas ao mesmo tempo mantém uma sensação de esperança, como se houvesse algo dentro de mim indicando o caminho certo a seguir.
Uma das faixas do álbum foi originalmente apresentada na EP demo de 2014. Ao revisitar esse material mais de uma década depois, quais diferenças vocês percebem entre a composição daquela época e a forma como ela foi apresentada no novo disco? Houve alguma mudança significativa na interpretação, nos arranjos ou na produção?
Na verdade, três faixas do álbum foram originalmente apresentadas na EP demo de 2014: “I’m Lost”, “Drowned in Shadows” e “Facing the Moon”. A principal diferença é que, no JORDAN'S EMPIRE OF DREAMS, elas foram apresentadas de uma forma mais pesada. Embora a EP já trouxesse elementos sinfônicos, sua sonoridade era mais voltada para o rock alternativo, incluindo também algumas influências mais pop.
Na época do EP, eu ainda tinha limitações técnicas, especialmente em relação ao vocal, que era mais imaturo e menos experiente. Nas versões atuais, as músicas ganharam mais peso, além de uma presença muito maior dos elementos épicos e sinfônicos.
Ao mesmo tempo, procurei preservar aquilo que dava identidade às composições originais. As melodias permaneceram as mesmas e as letras foram mantidas praticamente intactas, então, apesar das diferenças de sonoridade, ainda são essencialmente as mesmas músicas, revisitadas com uma visão e uma produção mais maduras.
Considerando que o álbum foi lançado de maneira independente antes da atual fase de divulgação junto à MS Metal Agency Brasil, quais foram os principais desafios enfrentados para produzir, lançar e apresentar esse trabalho ao público?
Um dos principais desafios foi justamente fazer praticamente todo o processo de forma independente. Produzir o álbum envolve muito mais do que compor, gravar e mixar as músicas: também é preciso cuidar da distribuição, divulgação, identidade visual, produção dos materiais e de toda a comunicação com o público.
Como o JORDAN'S EMPIRE OF DREAMS é um projeto novo, outro desafio foi construir essa identidade e fazer com que o álbum chegasse a pessoas que ainda não conheciam meu trabalho. O lançamento independente me permitiu colocar o disco no mundo com liberdade, mas também significou assumir sozinho muitas etapas que, em uma estrutura maior, seriam divididas entre diferentes profissionais.
A entrada da MS Metal Agency representa justamente uma nova etapa nesse sentido, especialmente pela possibilidade de ampliar a divulgação e apresentar o projeto a um público mais amplo, inclusive fora do Brasil.
Outro aspecto marcante do projeto é a utilização de elementos cinematográficos para ampliar a atmosfera das composições. Como vocês trabalham a relação entre música, narrativa e imagem, e existe algum conceito visual específico que pretendem desenvolver para acompanhar esta primeira etapa da trilogia?
Para mim, música, narrativa e imagem estão diretamente conectadas. Os elementos cinematográficos não estão presentes apenas para criar grandiosidade, mas para ajudar a construir atmosferas e transportar o ouvinte para dentro da história. Muitas vezes, penso primeiro na sensação que uma música precisa transmitir e a partir disso vou construindo tanto a sonoridade quanto os elementos visuais que podem complementar essa experiência.
Em ‘The Crossing’ essa identidade visual acompanha a própria ideia de uma jornada. Existe uma estética marcada por paisagens, céu, estrelas, lua, sol, sombras e elementos que remetem ao desconhecido e à passagem de um lugar para outro.
Essa proposta já está presente nos vídeos e visualizers desenvolvidos para o álbum, e pretendo continuar expandindo esse universo visual ao longo dos próximos capítulos da trilogia.
Pensando na repercussão do álbum e nos próximos passos do projeto, quais são os planos do JORDAN'S EMPIRE OF DREAMS para a divulgação do disco, apresentações ao vivo e desenvolvimento dos próximos capítulos da trilogia?
No momento, já tenho todas as demos do Chapter II finalizadas e estou entrando na etapa de gravações, produção e definição dos convidados que participarão do novo trabalho. A ideia é lançar um primeiro single ainda em 2026, acompanhado de material visual, seguido por outros lançamentos ao longo de 2027 até chegar ao álbum completo.
Também estou estudando a possibilidade de lançar o álbum em formato físico e desenvolver materiais de merchandising relacionados ao projeto. Em relação às apresentações ao vivo, embora elas não sejam o foco principal neste momento, existem planos para realizar shows especiais, como em festivais e eventos do gênero.
Paralelamente, o conceito do terceiro e último capítulo da trilogia também já está em desenvolvimento, com ideias musicais e conceituais bastante avançadas. A intenção é que ele amplie e conclua a narrativa iniciada em The Crossing, fechando o arco da trilogia tanto musicalmente quanto visualmente.
Para encerrar, que mensagem vocês gostariam de deixar para quem está conhecendo o JORDAN'S EMPIRE OF DREAMS agora e quais expectativas podem ser compartilhadas sobre o futuro da banda?
Para quem está chegando ao JORDAN'S EMPIRE OF DREAMS agora, espero que o projeto seja mais do que só uma coleção de músicas. Cada música tem um pouco da minha história, mas também quero que cada pessoa possa interpretá-la à sua maneira e criar sua própria relação com ela.
‘The Crossing’ é apenas o início dessa jornada. Ainda há muito para explorar musicalmente e conceitualmente, e espero que quem chegar agora possa acompanhar essa evolução ao longo dos próximos capítulos. Acima de tudo, quero continuar tendo liberdade para experimentar, contar histórias e transformar em música as ideias que venho carregando há muitos anos.
O álbum ‘Chapter I: The Crossing’ está disponível nas principais plataformas de streaming, e o projeto também está presente nas redes sociais, onde venho compartilhando conteúdos relacionados às músicas, aos conceitos e aos próximos lançamentos. Para quem está chegando agora, esses são também os melhores caminhos para acompanhar o desenvolvimento do projeto.
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